terça-feira, 20 de abril de 2010

Rio São Francisco - Minas Gerais


Voltando para Belo Horizonte, depois de uma viagem, parei para saborear um delicioso pescado em um restaurante de comida mineira, às margens do Rio São Francisco, próximo à cidade de Três Marias. O restaurante situava-se sob uma grande ponte que cortava o rio. Tal ponte derramava sobre alguns pescadores na margem, uma densa sombra que os protegia do sol, refrescando-os naquela tarde sem vento.
Pude observar bem próximo à minha mesa, uma família ribeirinha, que parecia praticar a pesca para seu próprio sustento. Junto a eles estavam alguns equipamentos velhos como varas de pesca e alguns baldes com iscas, todos amontoados dentro de um barco a motor, que tremulava calmamente nas pequenas ondas que alisavam a beira do rio.
Lembrei-me do polêmico projeto de transposição do Rio São Francisco, e nas conseqüências que causariam na vida desta família, que parecia distraída e não saberem o suficiente sobre o assunto. Pouco tempo depois, inteirei-me sobre o fato e tomei conhecimento de alguns dados interessantes.
Temos a idéia de que a falta de água para beber ou para cozinhar é o principal problema da população que vive no semiárido brasileiro, mas apenas 10% de toda a água retirada dos rios e lagos são destinadas para o uso doméstico. Assim, na maioria dos casos, uma cisterna cavada no quintal ou um reservatório para armazenar a água seria o suficiente para essas tarefas domésticas. Outros 20% são destinados ao uso industrial e o restante, 70% do precioso líquido, é retirado para agricultura e é aí que está o problema. Essa grande quantidade de água desviada para a agricultura é o que está faltando para o sofrido povo de rostos empoeirados.
Com o desvio do “Velho Chico”, as práticas agrícolas dessa população poderão seguir sem os problemas causados pelos longos períodos de estiagem.
Mas com a transposição do rio, qual seria o destino da família ribeirinha que pescava seu próprio almoço sob a sombra da grande ponte de concreto?
Segundo um professor da UFRJ, está previsto para o projeto a retirada de apenas 3% das águas que correm no rio e apenas esta quantidade será o suficiente para o sustendo das pessoas que residem no semiárido brasileiro. Tal proporção desviada será imperceptível nas margens do grande rio e a família de pescadores poderá continuar calma e distraída enquanto pesca o peixe para a moqueca do almoço.

terça-feira, 13 de abril de 2010

O exótico Mercado das Bruxas em La Paz - Bolívia


Já estava preparado para a desordem de La Paz, bem antes da minha chegada à cidade. Atrasos de ônibus, informações mal dadas, pedintes de esmolas e jovens desocupados pelas ruas não eram problema para mim, caso contrário passaria bem longe daquele país.
Instalei-me em um velho hotel que ostentava em sua fachada, duas estrelas de acrílico ressecado e quebradiço que piscavam, teimando para se manterem acesas, suspensas por fios empoeirados presos na alvenaria. Bem ao lado delas, na suja parede, havia a marca carbonizada de uma terceira estrela, mas o fio que a sustentava já não estava ali. Provavelmente a duas estrelas pendentes teriam um final parecido, caso acontecesse mais algum problema elétrico naquela fiação.
Essa visão também não me surpreendeu, pois eu já estava prevenido para essa situação e sem muito esforço já pude imaginar as condições de meu aposento. Deixei meu mochilão no quarto e parti sem medo para meu safári na cidade.
Andei por pouco tempo pelas ruelas de pedras, cercadas por sobrados e casarões que se espremiam uns aos outros bloqueando a luz do sol. Eram tantas as rachaduras nas paredes dessas construções que pareciam que elas foram causadas por essa pressão que unia os decadentes edifícios. Notei que o Mercado das Bruxas estava próximo.
Poucos passos adiante, barracas e camelôs lotados de mercadoria se misturavam com a multidão. Esse famoso mercado crescera bastante nos últimos anos por causa do grande número de bolivianos que fugiram da dura vida de trabalho nas minas de prata do sul do país e da grande seca e pobreza do Altiplano Andino, se instalando em La Paz para trabalharem como autônomos no mercado. Com eles, os costumes, a cultura e principalmente as estranhas mercadorias de toda a Bolívia foram trazidas e expostas para a venda no Mercado das Bruxas.
Amontoadas nas barracas estavam falsificações baratas de camisas que estampavam os logotipos de famosas marcas mundiais. Podia-se achar todo o tipo de quinquilharia, bugiganga, enfeites e amuletos que se espera encontrar um centro de comércio informal, mas finalmente algo chamou minha atenção. Fetos mumificados de llamas e urubus enchiam grandes cestas de palha espalhadas pela rua em todas as banquinhas. Mais uma manifestação do modo de vida do povo indígena boliviano foi levada ao mercado para surpresa de todos que se aventuravam por aqueles becos. Essas exóticas mercadorias eram usadas pelo povo local em seus rituais sagrados e feitiçarias, justificando o distinto nome do mercado.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Quem conhece Veneza?


Sem sombras de dúvidas, a cidade de Veneza é um dos destinos mais procurados do mundo por turistas que buscam as belezas da Europa, a história presente em seus canais e quem sabe, encontrar um grande amor. Assim, esses visitantes invadem a cidade e famintos por novidades, como uma criança em um parque de diversões, conseguem tudo o que desejam em troca de um bocado de Euros.
Tudo estaria perfeito, caso Veneza fosse realmente um parque de diversões, mas a realidade é bem diferente. Veneza é uma cidade que se sustentou através dos séculos pelo comércio, preservando sua cultura e tradições locais. Hoje, o turismo ocupa um importante papel na base da economia veneziana e pessoas de todo o mundo visitam a cidade introduzindo pouco a pouco uma fração de seus anseios, interferindo significativamente na real imagem do lugar.
Um exemplo dessa interferência são os famosos passeios de gôndolas feitos por casais apaixonados que se inspiram ao passarem sob a Ponte dos Suspiros. Parece romântico não é? Mas poucos sabem que as famosas gôndolas (preservadas na cor preta durante todos esses anos) eram os antigos carros funerários que transportavam os corpos das pessoas até o local do seu velório e que a bela Ponte dos Suspiros levava diretamente a uma antiga prisão e era desse ponto que os condenados olhavam, através de uma pequena janela, a luz do sol pela ultima vez. Com certeza, um casal pensaria duas vezes ao jurar amor eterno em um local como esse, caso soubessem dessa verdadeira historia. Mas como essas informações já não fazem parte do conhecimento popular, não me espantaria caso alguma empresa de passeios de gôndolas pintasse seus barcos de rosa.
Mas a pior interferência no modo de vida local é que a população da cidade está diminuindo. Em trinta anos a cidade perdeu metade de seus moradores, passando de 120 mil para 60 mil habitantes. Isso porque o custo de vida na cidade está ficando cada vez mais caro. O valor do aluguel de um sobrado cedido para um vendedor de verduras pode ser bem maior se alugado para uma rede hoteleira. Partindo desse principio é fácil concluir que já não se encontra sacolões facilmente em Veneza e “comércio local” está a beira do fracasso. Sem seus habitantes originais, esse famoso ponto turístico caminha para o destino de se tornar um grande parque de diversões.
Na foto, uma antiga venda no centro de Veneza, que agora se transformou em uma casa noturna de música eletrônica.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Villa Mar e suas surpresas - Bolívia.


Cheguei á uma minúscula vila na Bolívia, chamada Villa Mar no meu aniversário de 2007. Este era um dos lugares mais inacessíveis que já estive, mas não menos interessante do que outras cidadezinhas do mesmo porte.
Ao entrar na cidade, localizada a cerca de quatro mil metros acima do nível do mar e a uns três dias de carro do vilarejo mais próximo, percebi que o nome “Villa Mar” não fazia nenhuma referência àquelas cinco ruas perdidas no meio do deserto. Vi alguns moradores a espiarem timidamente de dentro de suas casas cor de terra, o nosso Toyota, que levantava uma fina poeira ao entrar na cidade. Descemos em uma venda para podermos almoçar. Nesse momento, ao conversarmos com um senhor que ali vivia, ficamos sabendo de histórias muito interessantes, como a de um avião militar que se chocou contra uma montanha que cerca a vila em 1911. Os corpos dos passageiros foram retirados, mas a carcaça da aeronave ainda estava lá, amassada contra as rochas. Ela nunca foi retirada de lá por causa do isolamento do vilarejo.
Depois da prosa, dei uma volta pelo local, tentei fazer algumas fotos dos moradores, mas eles se escondiam de minhas lentes. Como suas humildes casas, eles também tinham cor de terra e suas roupas se misturavam com a paisagem. Apenas um detalhe vermelho na camisa de um menino que riscava o chão empoeirado, contrastava com aquele ambiente. Aproximei-me dele para fazer a foto e ao contrário dos outros nativos, ele não correu, apenas ficou ali sentado, riscando a poeira do chão.
Continuei andando pela ruela principal e já estava quase na última casa da cidade quando vi um objeto com um brilho intenso a refletir a luz do sol. Fiquei curioso e me aproximei mais um pouco, subindo em um talude acidentado. O objeto que brilhava ainda mais, tomou forma em meus olhos. Gravado no metal, pude ler o inscrito: “FAB – Força Aérea Boliviana”. Senti que o tempo estava parado, não naquele meu aniversario, mas em 1911.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A viagem de Oruro até Uyuni - Bolívia


Saímos de Oruro ás 20:00 horas, com a chegada prevista para quatro da manhã em Uyuni. Entre nós e o destino final havia a grande planície do Altiplano Andino: uma terra sem vegetação e pedregosa e para piorar, não existiam estradas. Percebi que o motorista se guiava apenas pelas marcas que ele mesmo deve ter feito com os pneus na viagem de volta.
O ônibus estava lotado, com pessoas jogadas a dormir pelo corredor. Meu mochilão estava acomodado no meu colo por motivo de segurança, pois eu não queria ter a bagagem extraviada “propositalmente”.
No meio da viagem, quando os tagarelas passageiros já estavam mais calmos, ouvia-se apenas uma música que atravessava as gretas da porta e com ela, uma luz vermelha que enfeitava a cabine do motorista. O som vinha de um radinho a pilha que tocava alguma canção Andina.
Apesar de todo o desconforto, esta foi uma das viagens mais prazerosas que eu já havia feito. A paisagem do deserto era incrível. A noite de lua cheia revelava as montanhas além da planície dos Andes e banhava todo o deserto gelado com seu tom prateado.
Foi incrível!

domingo, 7 de março de 2010

Vulcão Villa Rica, Chile.


Chegar ao topo do vulcão Villa Rica, na Patagônia chilena, foi um prazer enorme para todos os aventureiros da equipe que faziam a escalada naquele dia.
Era muito comum ver pessoas sentadas e ofegantes no meio do caminho congelado, a ponto de desistirem por causa do grande esforço físico que a trilha exigia de quem se aventura por ali. Gelo duro e escorregadio, vento cortante, longos trechos de subidas íngremes esgotaram toda a nossa energia e ás vezes o medo parecia tomar conta da equipe quando ouvíamos um ronco profundo vindo do interior da cratera do vulcão. Mas depois de horas subindo, toda a equipe chegou ao destino final sem nenhuma desistência.
No curto período de permanência na cratera, fiz esta foto. Era muito arriscado permanecer naquele local por muito tempo, pois a qualquer momento, o vento poderia mudar de direção, expondo as pessoas a uma tóxica nuvem de enxofre.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Onde nasce o arco-íris.

A civilização Inca mantinha uma equilibrada relação com o meio ambiente e os recursos que dele extraía para a sobrevivência de seu povo. Para eles, a natureza era sagrada e nela estavam presentes as divindades que o povo cultuava, como por exemplo, o sol, a cobra, o puma e o condor.

Explorando o Vale Sagrado Inca, conheci a cidade de Chinchero, que também era um local sagrado, pois segundo a cultura Inca, era naquele local onde nasciam os arco-íris.

Localizada a 3.750 metros acima do nível do mar, cercada por campos, montanhas nevadas e por uma energia indescritível, pude fazer esta bela foto em uma das praças da cidade.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Pilares da Fé


Incrível panorâmica de Roma vista da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Este é um dos mais belos locais da capital italiana, onde riquezas culturais, históricas e artísticas transbordam a cada passo dado.

Cheguei bem cedo na basílica para não enfrentar a grande fila que se formaria na praça mais tarde. Então, pude observar cada detalhe do local com mais atenção e sem ser perturbado por turistas a procura da “Pieta” ou do túmulo de São Pedro.

Mais tarde enfrentei os 551 degraus até a parte mais alta da basílica, onde pude fazer esta foto. De lá, a grande cúpula cobria com sua sombra, parte da cidade, protegendo os fiéis da Igreja Católica.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Ilha do Mel, Paraná


Seguindo uma pequena trilha da Ilha do Mel no Paraná, encontramos a centenária Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres que foi usada para proteger a região do Porto Don Pedro II, onde navegavam embarcações com mercadorias como o ouro e a erva-mate.
Felizmente, este forte ainda está em bom estado de conservação graças às medidas de prevenção adotadas na ilha. A tração a motor está proibida em toda a região, até a animal em alguma áreas determinadas e há também um limite de acesso de apenas 5 mil pessoas. Tudo isso para proteger os sistemas de restinga e Floresta Atlântica presentes no local, fazendo da Ilha do Mel, um dos lugares mais paradisíacos do Brasil.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Ilhas Flutuantes



Há cerca de 500 anos atrás quando os espanhois conquistaram a América, introduzindo a cultura européia com o auxilio da pólvora, várias culturas foram dizimadas.
Fugindo dessa violência e do domínio Espanhol, a tribo dos Uros deslocou suas residências da terra firme para as frias águas do lago Titicaca, tecendo suas próprias ilhas flutuantes com as fibras de uma planta local, a totora. Assim, instalados e seguros, essa população deu continuidade à rica cultura pre-colombiana, permanecendo quase intacta até os dias de hoje. Essa cultura permanece tão bem preservada que a população não aderiu à lingua espanhola, mantendo o Quíchua como o indioma oficial.
Infelizmente essa população está diminuindo, pois os jovens habitantes estão se mudando para as grandes cidades em busca de oportunidades e por lá permancem.
Na imagem, uma criança da tribo dos Uros cuida de seu animal de estimação que em breve fará parte de seu jantar! No momento ela vive nas ilhas flutuantes do Lago Titicaca.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Cerrado


Praias de um rio próximo à cidade de Grão Mogol, em Minas Gerais. Essa é uma região dominada pelo cerrado e toda a sua grande biodiversidade, mas como acontece em muitos lugares do país, está sendo ameaçada pelo avanço do homem.
Mais um paraíso escondido no meio do Brasil, com vários atrativos, entre eles, os pequenos restaurantes nas fazendas que servem a autêntica culinária mineira na beira da estrada. Hummmmm!!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Pierre de Wissant, obra de Auguste Rodin.


Por um período de tempo as obras do escultor Rodin saíram de Paris, percorrendo museus e galerias de arte de vários países inclusive do Brasil. Ao passar por Barcelona, essas esculturas ficaram expostas para quem andasse pelas calçadas. Uma boa ideia nao é?
Entre várias esculturas, essa me chamou bastante a atencão, principalmente pela intensa expressividade nos gestos e na feição do modelo. Apartir daí entendi porque Rodin se tornou um gênio quando ressuscitou a escultura em uma época que a arte era dominada pela pintura.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Compondo...


Foto feita na linha férrea próxima à cidade de Brumaginho (MG), onde meu amigo também posicionava sua camera para "montar" outra foto. Quando escrevo "montar" ou "fazer" uma fotografia, significa que um tempo foi gasto para a composição dos elementos visuais, de modo que cada um deles se encaixe no seu devido lugar. Assim uma foto nunca deve ser "tirada", mas sim montada, elaborada e muito bem pensada.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Foto noturna

O melhor da fotografia é observar o que ainda não foi visto. Como as luzes da noite, impossíveis de perceber a olho nú. A linha entre o horizonte e o mar junto de tantas estrelas causam um efeito único e o movimento das nuvens introduz a passagem do tempo como um dos elementos desta imagem. Foto feita em Conceição da Barra, ES.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Catedral de Notre Dame


Momento único na catedral de Notre Dame, quando um coral fazia um ensaio sob os impressionantes vitrais góticos. Estava muito frio na Isla de la Cité e dentro da catedral era o melhor lugar para descansar.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Machu Piccho - a cidade perdida

As ruínas da cidade Inca perdida se revelaram como pintura aos olhos maravilhados de quem passava pelo sítio naquela manhã. Cada bloco de pedra se encaixava perfeitamente em seu lugar, como se fosse disposto pelas pinceladas de um artista. Uma grande e densa floresta enraizada nos Andes emoldurava o cenário.

Mais uma maravilha


Dia 26 de dezembro de 2009, uma tempestade caia em Roma na noite que fiz essa foto. Ainda bem, porque as gotas da chuva acabaram realçando ainda mais as luzes dos holofotes, fazendo o Coliseu brihar mais do que sua própria presença.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Catedral da sagrada Familia, Barcelona, Espanha.


Cena comum em frente à famosa catedral Sagrada Família, onde turistas e cidadãos se juntam para relaxarem.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Alpes Suiços


Fazendo uma trilha no alto dos Alpes Suiços, em uma região próxima à cidade de Thusis, pude entrar em contato direto com a natureza gelada como nunca havia acontecido. A temperatura beirava os 20 graus negativos, mas o frio e o cansaço eram rebatidos pelas belas paisagens.