quarta-feira, 31 de março de 2010

Quem conhece Veneza?


Sem sombras de dúvidas, a cidade de Veneza é um dos destinos mais procurados do mundo por turistas que buscam as belezas da Europa, a história presente em seus canais e quem sabe, encontrar um grande amor. Assim, esses visitantes invadem a cidade e famintos por novidades, como uma criança em um parque de diversões, conseguem tudo o que desejam em troca de um bocado de Euros.
Tudo estaria perfeito, caso Veneza fosse realmente um parque de diversões, mas a realidade é bem diferente. Veneza é uma cidade que se sustentou através dos séculos pelo comércio, preservando sua cultura e tradições locais. Hoje, o turismo ocupa um importante papel na base da economia veneziana e pessoas de todo o mundo visitam a cidade introduzindo pouco a pouco uma fração de seus anseios, interferindo significativamente na real imagem do lugar.
Um exemplo dessa interferência são os famosos passeios de gôndolas feitos por casais apaixonados que se inspiram ao passarem sob a Ponte dos Suspiros. Parece romântico não é? Mas poucos sabem que as famosas gôndolas (preservadas na cor preta durante todos esses anos) eram os antigos carros funerários que transportavam os corpos das pessoas até o local do seu velório e que a bela Ponte dos Suspiros levava diretamente a uma antiga prisão e era desse ponto que os condenados olhavam, através de uma pequena janela, a luz do sol pela ultima vez. Com certeza, um casal pensaria duas vezes ao jurar amor eterno em um local como esse, caso soubessem dessa verdadeira historia. Mas como essas informações já não fazem parte do conhecimento popular, não me espantaria caso alguma empresa de passeios de gôndolas pintasse seus barcos de rosa.
Mas a pior interferência no modo de vida local é que a população da cidade está diminuindo. Em trinta anos a cidade perdeu metade de seus moradores, passando de 120 mil para 60 mil habitantes. Isso porque o custo de vida na cidade está ficando cada vez mais caro. O valor do aluguel de um sobrado cedido para um vendedor de verduras pode ser bem maior se alugado para uma rede hoteleira. Partindo desse principio é fácil concluir que já não se encontra sacolões facilmente em Veneza e “comércio local” está a beira do fracasso. Sem seus habitantes originais, esse famoso ponto turístico caminha para o destino de se tornar um grande parque de diversões.
Na foto, uma antiga venda no centro de Veneza, que agora se transformou em uma casa noturna de música eletrônica.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Villa Mar e suas surpresas - Bolívia.


Cheguei á uma minúscula vila na Bolívia, chamada Villa Mar no meu aniversário de 2007. Este era um dos lugares mais inacessíveis que já estive, mas não menos interessante do que outras cidadezinhas do mesmo porte.
Ao entrar na cidade, localizada a cerca de quatro mil metros acima do nível do mar e a uns três dias de carro do vilarejo mais próximo, percebi que o nome “Villa Mar” não fazia nenhuma referência àquelas cinco ruas perdidas no meio do deserto. Vi alguns moradores a espiarem timidamente de dentro de suas casas cor de terra, o nosso Toyota, que levantava uma fina poeira ao entrar na cidade. Descemos em uma venda para podermos almoçar. Nesse momento, ao conversarmos com um senhor que ali vivia, ficamos sabendo de histórias muito interessantes, como a de um avião militar que se chocou contra uma montanha que cerca a vila em 1911. Os corpos dos passageiros foram retirados, mas a carcaça da aeronave ainda estava lá, amassada contra as rochas. Ela nunca foi retirada de lá por causa do isolamento do vilarejo.
Depois da prosa, dei uma volta pelo local, tentei fazer algumas fotos dos moradores, mas eles se escondiam de minhas lentes. Como suas humildes casas, eles também tinham cor de terra e suas roupas se misturavam com a paisagem. Apenas um detalhe vermelho na camisa de um menino que riscava o chão empoeirado, contrastava com aquele ambiente. Aproximei-me dele para fazer a foto e ao contrário dos outros nativos, ele não correu, apenas ficou ali sentado, riscando a poeira do chão.
Continuei andando pela ruela principal e já estava quase na última casa da cidade quando vi um objeto com um brilho intenso a refletir a luz do sol. Fiquei curioso e me aproximei mais um pouco, subindo em um talude acidentado. O objeto que brilhava ainda mais, tomou forma em meus olhos. Gravado no metal, pude ler o inscrito: “FAB – Força Aérea Boliviana”. Senti que o tempo estava parado, não naquele meu aniversario, mas em 1911.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A viagem de Oruro até Uyuni - Bolívia


Saímos de Oruro ás 20:00 horas, com a chegada prevista para quatro da manhã em Uyuni. Entre nós e o destino final havia a grande planície do Altiplano Andino: uma terra sem vegetação e pedregosa e para piorar, não existiam estradas. Percebi que o motorista se guiava apenas pelas marcas que ele mesmo deve ter feito com os pneus na viagem de volta.
O ônibus estava lotado, com pessoas jogadas a dormir pelo corredor. Meu mochilão estava acomodado no meu colo por motivo de segurança, pois eu não queria ter a bagagem extraviada “propositalmente”.
No meio da viagem, quando os tagarelas passageiros já estavam mais calmos, ouvia-se apenas uma música que atravessava as gretas da porta e com ela, uma luz vermelha que enfeitava a cabine do motorista. O som vinha de um radinho a pilha que tocava alguma canção Andina.
Apesar de todo o desconforto, esta foi uma das viagens mais prazerosas que eu já havia feito. A paisagem do deserto era incrível. A noite de lua cheia revelava as montanhas além da planície dos Andes e banhava todo o deserto gelado com seu tom prateado.
Foi incrível!

domingo, 7 de março de 2010

Vulcão Villa Rica, Chile.


Chegar ao topo do vulcão Villa Rica, na Patagônia chilena, foi um prazer enorme para todos os aventureiros da equipe que faziam a escalada naquele dia.
Era muito comum ver pessoas sentadas e ofegantes no meio do caminho congelado, a ponto de desistirem por causa do grande esforço físico que a trilha exigia de quem se aventura por ali. Gelo duro e escorregadio, vento cortante, longos trechos de subidas íngremes esgotaram toda a nossa energia e ás vezes o medo parecia tomar conta da equipe quando ouvíamos um ronco profundo vindo do interior da cratera do vulcão. Mas depois de horas subindo, toda a equipe chegou ao destino final sem nenhuma desistência.
No curto período de permanência na cratera, fiz esta foto. Era muito arriscado permanecer naquele local por muito tempo, pois a qualquer momento, o vento poderia mudar de direção, expondo as pessoas a uma tóxica nuvem de enxofre.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Onde nasce o arco-íris.

A civilização Inca mantinha uma equilibrada relação com o meio ambiente e os recursos que dele extraía para a sobrevivência de seu povo. Para eles, a natureza era sagrada e nela estavam presentes as divindades que o povo cultuava, como por exemplo, o sol, a cobra, o puma e o condor.

Explorando o Vale Sagrado Inca, conheci a cidade de Chinchero, que também era um local sagrado, pois segundo a cultura Inca, era naquele local onde nasciam os arco-íris.

Localizada a 3.750 metros acima do nível do mar, cercada por campos, montanhas nevadas e por uma energia indescritível, pude fazer esta bela foto em uma das praças da cidade.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Pilares da Fé


Incrível panorâmica de Roma vista da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Este é um dos mais belos locais da capital italiana, onde riquezas culturais, históricas e artísticas transbordam a cada passo dado.

Cheguei bem cedo na basílica para não enfrentar a grande fila que se formaria na praça mais tarde. Então, pude observar cada detalhe do local com mais atenção e sem ser perturbado por turistas a procura da “Pieta” ou do túmulo de São Pedro.

Mais tarde enfrentei os 551 degraus até a parte mais alta da basílica, onde pude fazer esta foto. De lá, a grande cúpula cobria com sua sombra, parte da cidade, protegendo os fiéis da Igreja Católica.